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A água e o equilíbrio ambiental


Por Redação Clic Camaquã Publicado 17/11/2015
Ouvir: 04:14

A água representa entre os recursos naturais disponíveis no Planeta, a que mais sofre impacto mediante qualquer intervenção do homem no meio ambiente. O corte de uma floresta, a exploração do solo, a mineração e a utilização nas demais atividades humanas, repercutem na quantidade, qualidade e distribuição da água no meio ambiente.

Observamos o que aconteceu com as vertentes e os cursos deáguas da região. Num passado não muito distante existiam muitas sangas que atravessavam as estradas, os caminhos e os trilhos que ligavam as varias localidades. Lembramos que na época os morros eram quase inacessíveis, todos cobertos de mata virgem exuberante e nas várzeas os banhados estavam intactos. As nascentes e os cursos de águas estavam protegidos com vegetação. Nessa situação, mesmo com as estiagens, havia umidade na superfície do solo. A água era levada facilmente do lençol freático abundante através da porosidade do solo estruturado.

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Os topos de morros cobertos com florestas assumiam a função de recargas do lençol freático e dos aqüíferos. Grande parte da água das chuvas era retida na copa, nos galhos e nos troncos das árvores por algum tempo e quando chegava ao solo, encontrava uma camada de folhas em decomposição, como se fosse uma esponja, essas condições dificultava o escorrimento das águas das chuvas e com isso aumentava a infiltração. Os banhados nas várzeas, por sua vez, funcionavam como caixas de águas e as matas em galerias protegiam das nascentes e os cursos de águas superficiais.

Acontece que grande parte dos banhados foi transformada em lavouras, com incentivos governamentais como o Pró-Varzea, executado de maneira desordenada. Os morros por sua vez foram desmatados indiscriminadamente. Para ter uma idéia do que representou isso para o Estado, basta dizer que a cobertura inicial era de 42 % da superfície, isso no início da colonização, na década de 1870 e hoje restam apenas 5 a 10 % desta mata. Como conseqüência  a recarga da água no solo diminuiu assombrosamente. Onde antes existiam vertentes e cursos de água permanente, hoje desapareceram ou se transformaram em filetes que se esgotam com a estiagem. Este é o caso da situação grave dos rios gaúchos nesse momento.

Dependemos quase que exclusivamente das chuvas, qualquer estiagem representa uma catástrofe, principalmente nas zonas altas, exatamente onde está a pequena e média propriedade. Uma das soluções seria a criação de depósitos de água, nesse caso vai determinar a diminuição do fluxo e do volume de água dos cursos. Com pouca água nos rios, fica prejudicada a diluição dos efluentes químicos e orgânicos determinando baixa oxigenação que acaba matando os animais aquáticos e prejudicando as atividades rio abaixo.

As atividades de uso da terra são as maiores causadoras da escassez, mas a urbanização e a industrialização provocam os danos mais significativos na qualidade da água é nesse detalhe que devem se assentar os principais focos de atenção na gestão da água doce.

Como disse Kofi Annan (Secretário Geral das Nações Unidas) “A água é um recurso fluído: as ações que se desenvolvem em qualquer parte de uma bacia hidrográfica pode ter efeitos consideráveis sobre a água destinada ao consumo dos seres vivos em outras partes. Temos que aprender que todos vivemos águas abaixo”. Voltamos ao assunto na próxima semana para examinar o efeito da mineração na qualidade da água, especialmente levando em conta o que aconteceu recentemente em Minas Gerais.

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