PT não quer PP e PP não quer PT: os conflitos entre Direita x Esquerda na política camaquense

Para quem acompanha o cenário político municipal de Camaquã, é bastante claro que Partido dos Trabalhadores (PT) e Progressistas (PP) não pretendem participar de uma mesma coligação. Em outros municípios, como é o caso de Chuvisca, o atual prefeito Joel Subda (PSB) contou com o apoio dos dois partidos em 2020.
Em um contexto nacional, onde o país é presidido por Lula (PT), há uma aproximação de diversos parlamentares do PP com o Governo Federal. O atual ministro de Esportes, André Fufuca (PP), é a prova disso. Arthur Lira (PP), presidente da Câmara, já chegou a dizer que o partido é base do governo. Entretanto, política municipal é municipal. Em Camaquã, há uma desavença de aparência insuperável entre militantes do PT e militantes do PP, envolvendo posições políticas fortes e divergentes de ambos os lados: herança de 2022.
📱 Clique para receber notícias de graça pelo WhatsApp.
O vereador e presidente do PP em Camaquã, Vitor Azambuja, em entrevista ao Controle Geral deste sábado (27), deixou claro que também existem divergências entre PP e PDT, mas a união, segundo ele, não é ideológica e sim por um projeto para Camaquã. Pela desavença mencionada acima, a mesma união atualmente não é possível com o PT.
O Partido Democrático Trabalhista (PDT), por outro lado, tenta superar qualquer divergência histórica e ideológica por uma uma união mais ampla dos partidos de oposição. De acordo com a fala do vereador Claiton Silva, o PDT ainda tem esperanças de trazer o PT para aliança, assim como seguem as conversas com o Partido Liberal (PL), que está do outro lado no espectro político. O Partido Social Democrático (PSD), de centro, é o mais próximo da coligação.
PT não quer PP e PP não quer PT
Os militantes do PT já expressaram sua certeza em não participar da aliança. Em uma edição recente do Bom Dia Camaquã, na quarta-feira (24), o ex-vereador Marco Longaray (PT) chegou a comentar que o pré-candidato trabalhista, Renato Nogueira, devia ter “tomado o santo-daime” ao cogitar a entrada do PT na coligação.
Os dois pré-candidatos, de PDT e PP, estavam no programa. Quando questionado sobre a esperança do PDT em ainda contar com o apoio do PT, o pré-candidato Marcos Maranata (PP) desconversou. Para bons entendedores, ficou claro que o PDT é o máximo à esquerda que o partido aceita ir. O foco agora é fechar com PL e PSD.
Quem achou que o PDT seria um elo que uniria os dois extremos, estava enganado. PT não quer PP e PP não quer PT, ambos por questões ideológicas. Sendo assim, neste momento, certamente não veremos uma coligação com PP e PT em Camaquã, mas há 10 anos quem diria que PP e PDT estariam juntos?
Aliança entre PDT e Progressistas
Na última semana, PDT e PP anunciaram a aliança histórica entre os dois partidos. Agora, na prática, só falta definir quem será o vice de quem. A escolha é entre Marcos Maranata (PP) e Renato Nogueira (PDT) e deve envolver pesquisas com os eleitores, novas reuniões e a opinião dos outros partidos que ainda entrarão na coligação.
Para quem não lembra, durante décadas, o grande páreo da política camaquense era entre os dois partidos.
Durante entrevista concedida na última quarta-feira (24), o pré-candidato dos trabalhistas, Renato Nogueira, destacou que a aliança foi um processo natural, construída em cima de um discurso e não o contrário. Os dois partidos foram unidos pelas semelhanças durante os anos de oposição ao PSDB, do atual prefeito Ivo.
A ordem de composição da chapa deve ser definida até final de maio.
Do outro lado
O lado que apoia a continuidade dos tucanos no poder também tem “contradições ideológicas” se formos levar em conta os estatutos dos partidos e o cenário político nacional. A aliança que apoia os pré-candidatos Abner Dillmann e Luciano Cabeça também tem partidos dos dois lados do espectro político.
Atualmente, a chapa conta com a Federação PSDB Cidadania, MDB, União Brasil, Republicanos e PSB. Este último citado é o Partidos Socialista Brasileiro, do atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Não é uma coligação totalmente concentrada no campo da centro-direita e direita.
A questão é que, nos cenários políticos municipais, essas ideologias raramente são levadas em conta. A administração municipal costuma ser muito mais prática do que ideológica.
Conclusão
Estamos no dia 28 de abril de 2024. O eleitor tem até o dia 8 de maio para regularizar seu título e até o dia 6 de outubro para decidir em quem depositar seu voto para prefeito(a) e vereador(a). Até lá, é importante ficar atento ao debate político e promessas que estão ou não ao alcance dos cargos.
É importante saber as diferenças entre cargos no Legislativo e no Executivo. Nos próximos dias, aqui no Clic Camaquã, uma série de reportagens vai abordar os deveres de cada agente político.
O voto é secreto e deve ser decidido de forma consciente.
Pablo Bierhals | chefe de redação do Clic Camaquã | contato @ cliccamaqua.com.br