O último do ano!

É curioso como a virada de um ano significa muito e nada ao mesmo tempo. Na prática, é apenas a terra concluindo mais uma volta ao redor do Sol, mas simbolicamente, para nós, pequenos animais terrestres, é o fim de um ciclo e a oportunidade para um novo começo.
Quantas ondas eu preciso pular para um ano de sorte? Qual cor de roupa devo usar para conquistar aquilo que almejo? E a comida, tem alguma em especial que não pode faltar?
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As festas de fim de ano parecem mais interessantes quando somos crianças. Na vida adulta são apenas feriados entre um dia e outro de 8 horas ou mais de trabalho. Durante a ceia de Natal as preocupações que invadem nossos pensamentos parecem maiores do que a ansiedade de aguardar a chegada do Papai Noel.
Será que são?
As promessas para o ano novo seguem a mesma toada. Elas são para quem ainda não percebeu que o dia 1º de janeiro é apenas o dia seguinte ao 31 de dezembro. Uma promessa é vazia se não houver ação.
Neste 2024, no entanto, sinto que há uma carga que pode (e deve) ser deixada para trás. Foi um ano de muitas dificuldades, mas não como qualquer outro ano que também há muitas dificuldades. Nós, no coletivo, vivemos momentos de terror com eventos climáticos extremos: bairros inteiros destruídos e famílias que perderam tudo, inclusive a vida. Esses sofrimentos coletivos se alinham aos sofrimentos pessoais de cada um.
Foi um ano daqueles que certamente serão lembrados em nossa história.
E o lado bom, Pablo?
Não é bom ser um jovem pouco esperançoso, então eu acredito que o lado bom sempre existe, é claro, mesmo que nem sempre seja uma conquista evidente. A destruição nos força, por necessidade, a construir.
Durante as enchentes, por exemplo, nós acompanhamos mobilizações intensas de voluntários agindo para resgatar e acolher sobreviventes. Eu acredito, sinceramente, que muitos realmente foram movidos por um impulso, quase irracional, de ajudar o próximo. Ainda assim, um fenômeno ímpar, que não se repete ao longo dos tempos. Por experiência, é mais comum que uma pessoa seja indiferente do que tenha empatia.
É por essa visão acima que não vou encerrar o texto dizendo que acredito em um 2025 mais pacífico, com mais compaixão e flores cheirosas no jardim. Eu acredito, no entanto, que nós, sobreviventes, aprendemos um pouquinho mais a como lidar com o lado caótico da vida. E isso é o que tem de positivo.
Amazing Grace
Por fim, pra não parecer que sou ingrato, deixo registrado meu agradecimento a Deus por permitir que eu seja um desses sobreviventes que aprendeu algumas lições. Sei que não cheguei até aqui por força própria, mas sim pela Graça. E se eu for desejar algo pra 2025, desejo lembrar mais disso ao longo do ano.
Pablo Bierhals | chefe de redação do Clic Camaquã | contato @ cliccamaqua.com.br