Deriva: um problema que precisa ser debatido com seriedade

Não será possível avançar no assunto “diversificação de culturas” sem antes resolver o problema da deriva. É um tema urgente que precisa ser debatido com inteligência e seriedade, sem politicagem. É preciso chamar os produtores de soja, principal cultura causadora de deriva, para o debate consciente: todas as atividades agrícolas, da agricultura familiar à patronal, são importantes para o desenvolvimento do estado.
O uso de herbicidas hormonais nas lavouras de soja afeta outras culturas, como uva, oliva e noz-pecã, por deriva. O mais conhecido desses produtos, o 2,4-D, é transportado pelo vento quando mal aplicado. Uma vinícola de Dom Pedrito estima prejuízo de R$ 24 milhões desde 2017, e o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) calcula uma redução de até 50% em produção ao ano por deriva de 2,4-D.
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A Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, decidiu enfrentar a situação. Nesta quinta-feira (3), será realizada uma audiência pública sobre o tema. São esperadas mais de cem pessoas entre representantes de federações, associações de produtores e cooperativas, indústrias de herbicidas, além de Ministério Público, Secretaria da Estadual da Agricultura, Secretaria de Desenvolvimento Rural, Secretaria do Meio Ambiente, Emater e Embrapa.
A audiência foi solicitada pelo deputado Elton Weber (PSB), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária Gaúcha e da Frente Parlamentar da Vitivinicultura e Fruticultura. O presidente da comissão, deputado Zé Nunes (PT), garantiu um olhar especial para o tema durante seu mandato. Em entrevista ao programa Campo em Dia, o deputado citou problemas na viticultura, citricultura, olivicultura e até na morte das abelhas. Segundo ele, “são várias culturas que estão sofrendo as consequências de uma tecnologia incompatível”.
Uma cultura não pode se sobrepor a outra e o debate precisa andar no rumo da solução.
Em Camaquã, está sendo criada a Frente Parlamentar da Fruticultura e Olivicultura, que será presidida pelo vereador Vitor Azambuja (PP). A justificativa para criação da frente diz o seguinte: Com sua rica biodiversidade, solos férteis e tradição agrícola, a região se destaca pela capacidade de produzir frutas de alta qualidade e por abrigar condições favoráveis ao cultivo de oliveiras, um setor em franca expansão no Rio Grande do Sul.
Questionado sobre o tema da deriva, Azambuja respondeu que serão abordados “todos os temas de pertinência para o setor, inclusive este”. É um passo importante para um debate mais próximo do produtor da região.
Campo em Dia
De segunda a sexta-feira, das 7h às 8h, o programa Campo em Dia traz as principais atualizações do agronegócio através do aplicativo da Clic Rádio, Facebook e YouTube do Clic e Rádio Farol FM, de Arambaré.
Pablo Bierhals | jornalista do Clic Camaquã | contato @ cliccamaqua.com.br