TURBULÊNCIA EM BRASÍLIA
Um Ministro que, ante sua dignidade, sua credibilidade, sua honradez e sua pertinência, não soube ter persistência (até rimou). Refiro-me ao ex Ministro da Justiça, SÉRGIO MORO. Quem assistiu ao filme “Policia Federal – a Lei é para Todos”, com o ator Antônio Calloni, pode ver bem a personalidade do ex Ministro. Calmo, eficiente e corajoso. Decidia com firmeza. E, até ia para o Foro (Foro Federal de Curitiba) de bicicleta.
Aqui e agora, nem vou discutir quem tem razão: o Presidente Bolsonaro ou o ex Ministro Moro. Vou comentar o que eu disse quando o primeiro convidou o então Juiz para o Ministério, pelo microfone de nosso CLIC Camaquã: “política é para políticos; política não é para quem não tem jogo de cintura”. O Dr. Sérgio Moro não devia aceitar. Melhor continuar no cargo que já o consagrou. Até Escolas de Samba o homenagearam como grande personalidade brasileira. Se continuar como Juiz, por certo, lá adiante será Ministro do STJ coroando sua carreira.
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Ainda no futuro poderia ser Presidente do Brasil. Isso, aliás, ainda poderá vir a ser. Ministro do STF agora, após desavença com o Presidente, não. Pena, competência não lhe falta.
Mas, por não ser da área, não teve “ginga” para continuar Ministro do Executivo. Político tem que “engolir sapo”. Ver o que necessariamente interessa. Não pode ser intransigente. Embora eu respeite, no caso, essa intransigência. Não compactua, não pode se meter em política. Na qual pode compactuar com seriedade, mas sem intransigência. É isso que não passa.
No final dos anos 60 e início dos 70, ocorreu uma ditadura militar na Grécia. Começou não com golpe militar súbito; mas gradual. Um Juiz de Direito daquele País, Christos Sartzetaquis, no cumprimento de seu dever foi duro com coronéis do exército grego. Inquiriu-os com firmeza; condenou alguns. Culminou em ser preso com o avanço da dureza militar em 1971. Com a redemocratização em 1974 foi reabilitado. Voltou ao cargo. Terminou eleito Presidente da Grécia (1985/90).
A ditadura grega em sua perseguição obrigou pessoas a se refugiarem no exterior. Melina Mercuri, artista de cinema falecida em 1993 e casada com o francês Jules Dasin foi para a França. Famosa entre outros filmes pelo “Nunca aos Domingos”. Quando pode voltar à Grécia foi Ministra da Cultura. Nana Mouskouri, uma das maiores cantoras de todos os tempos, hoje com 85 anos, também esteve exilada. Quando voltou foi recepcionada em praça pública pelo Governo.
Por certo Moro não precisaria transigir. Não é de sua índole. Apenas precisava ter mais calma e continuar no cargo. O que era interesse da maioria da nação. Aí se poderia ver a Polícia Federal exercer “a lei é para todos”. Inclusive para o bobão das “fake news”e o envolvido com salário dos integrantes de seu gabinete quando deputado estadual. Sem turbulência.
EDIÇÃO de 29 de abril de 2020.