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REFORMAS ESTADUAIS NECESSÁRIAS


Por Redação Clic Camaquã Publicado 09/10/2019
Ouvir: 04:15

As reformas econômicas estaduais são necessárias, sim. Lembro-me que, no tempo do Regime Militar os Ministros da Fazenda, entre os quais Delfim Neto buscando recursos junto ao FMI. Foi o caos para os brasileiros que, desconhecedores do assunto, achavam ser interferência estrangeira interna. Não é e não foi assim.

Com efeito, o FMI para auxiliar economicamente um País exige o cumprimento de certas regras econômicas. Estas, então, são impostas. Mas não havia outro caminho. O País em 1964 estava exaurido com graves problemas na economia interna. E, deposto o Governo eleito, o Regime Militar foi ao FMI, querendo ou não a nação.

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Daí já se passa meio século. Embora muitos ainda não aceitem por teimosia, a economia já desde aquela época era mundial. Hoje muito mais.. Os países não podem mais viverem isolados. Vejam-se os exemplos da Venezuela, Cuba e Coréia do Norte. Embora os dois últimos mais “light”. Cuba já tem Embaixada Americana e a Coréia, com cultura milenar tem mais estabilidade econômica.

Quando eu trabalhava no Banco do Brasil existia a famosa “conta movimento”. Nela e dela se valiam: o Governo Federal e o próprio Banco. Saques à vontade. Até que o Governo Militar iniciou o cancelamento da conta. Criou o Banco Central. Afastou o Banco do Brasil, por ser ente econômico ativo e atuar diretamente com o público, da participação nas contas do governo. Os funcionários do BB reclamaram. A “conta movimento” é necessária. Consultava, sim, os interesses do Banco e de seu funcionalismo. Todavia prejudicava a nação como um todo.

A adaptação para uma economia voltada aos interesses globais era inevitável. Tal tipo de conta não podia persistir. Um Banco Central para gerir a economia e a moeda era preciso. Feito isso em uma etapa seguinte, após a redemocratização e, então, no início do Governo Sarney, o Ministro da Fazenda Dilson Funaro, que fora indicado por Tancredo Neves que faleceu antes de assumir, diretamente passou a interferir no BB.

Desta forma o Banco foi o 1º órgão público nacional a começar ser idealizado para as novas regras econômicas. Então, gradativamente, vantagens funcionais foram abolidas. Avanços na carreira e integrações de qüinqüênios terminados. O BB que tinha um passivo trabalhista capaz de levá-lo à bancarrota conseguiu voltar a crescer em “superávit”.

Pois bem, o Governador Eduardo Leite, em que não votei, pois fui com José Ivo Sartori agora amarga a campanha eleitoral na qual afirmava que o pagamento em dia do funcionalismo era uma questão de “fluxo de caixa”, teve que engolir que não é assim. Hoje os salários estão mais atrasados do que no tempo de Sartori. As propostas de Leite são muito mais arrojadas. Diretamente em aumento de desconto previdenciário e em acabar com vantagens funcionais.

Essas ou ele acaba, ou o funcionalismo vai sofrer mais, adiante. Com maiores atrasos. Com maiores encargos. Com menos vantagens das que hoje se busca acabar. Ninguém faz mágica com economia e finanças. A matemática é exata. Não se pode pagar se não se tem reserva mensal.

Os professores, que ensinam nossos filhos, efetivamente precisam ganhar bem. O funcionalismo que atende a população necessita bons salários. Mas a adequação é necessária. Ou todos perdem: os servidores; o Estado; e a população. Não existem milagres em economia. E o Brasil, inclusive o nosso Estado, necessita corrigir os erros do passado senão não teremos futuro. 

TRIBUNA – Edição de 11 de outubro de 2019.__.

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