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A história não contada do BB de Camaquã (XXI)


Por Redação Clic Camaquã Publicado 11/05/2022
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Nelson Egon Geiger
Nelson Egon Geiger

“A incrível rotação política terminou em me fazer voltar para cargo em comissão mesmo depois de ter deixado para ficar como funcionário simples e advogar. Contado no capítulo anterior. Aqui \relato como aconteceu o retorno para um cargo de carreira”.

Passei sete anos sem ocupar nenhum cargo de chefia. Nesse tempo, por necessidade do serviço efetuei algumas substituições. Na realidade voltei a ser funcionário simples. Parte desse período ainda na agência onde hoje é o Banrisul. Depois na nova: na Rua Antônio José Centeno.

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Havia disputado eleições municipais em 1976 e 1982, sem obter vitória. Na primeira meu Partido, MDB (antigo) foi vencedor com o grande companheiro Egydio Alfredo Schlabitz. Na outra, o amigo Marco Aurélio Pereira saiu-se vencedor. Pelo então PDS, hoje PP.

Desta forma eu laborava seis horas no Banco e advogava no restante do tempo. Quando sobreveio o movimento das “Diretas Já”, sob liderança de Ulysses Guimarães participei no que foi possível. Derrotada a emenda de eleições diretas para Presidente da República no Congresso foi mantido o Colégio Eleitoral. Em janeiro de 1985 Tancredo Neves pelo PMDBvenceu o candidato do Regime Militar, Paulo Maluf e seria empossado em 15 de março. O que não ocorreu face à doença que foi acometido na véspera vindo a falecer em 21 de abril. Ficou o Vice, José Sarney. O PMDB passava a comandar o País.

Por aquelas coisas do destino, isso me fez ocupar, novamente, cargos no Banco do Brasil. Explico: Tancredo havia convidado o ex-Deputado Federal Odacir Klein para ser Diretor do Banco. Odacir estava sem cargo eletivo, pois concorrera para Vice-Governador pelo PMDB em 1982, quando aconteceram eleições para todos os níveis (de Presidente a Vereador) e Simon perdeu por poucos votos para Jair Soares.

Sem cargo eletivo Tancredo convocou Odacir, na época Presidente do PMDB gaúchopara a Diretoria do Banco. Ele, meu amigo em razão do Partido me convidou para ser seu Assessor na Diretoria. Era um cargo de grande projeção para quem, há tempos, era funcionário simples. Sem ocupar nenhuma função no momento culminei em sair de Camaquã para Brasília. Como Assessor do Diretor de Recursos Humanos. Nosso gerente de então, Petrônio Duarte Schuller me incentivou a aceitar o convite.

Então, depois de mais de onze anos sem nenhum cargo culminei em ocupar cargo na Direção Geral. Depois fui Subchefe de Gabinete, tendo diversas vezes assumido a Chefia. Minha assessoria era a que fazia o contato do Diretor com a área política. Atendia Deputados, Prefeitos; fui a reuniões substituindo o Diretor; ao Congresso Nacional, Ministérios e outras áreas administrativas federais. Inclusive efetuei viagens a mando do chefe.

Nessa época a Embaixada da África do Sul nos enviava revistas divulgando seu País, que desde 1948 mantinha o “apartheid” e Nelson Mandela preso desde 1964. Em uma publicação uma foto de Mandela jantando com o então Presidente Peter Bottha e depois retornando à prisão. Tratativas para acabar com as constantes revoltas populares contra o regime segregacionista, pois Mandela tinha força na oposição.

A propaganda visava justificar o regime de segregação que somente acabou em 1994. Mandela foi liberado pelo sucessor de Botha, Frederik De Klerck em 1990; e o regime terminou em 1994. Mandela venceu a eleição seguinte tendo sido Presidente de 1995/99.            

Fiquei amigo do funcionário da embaixada que freqüentava nosso gabinete. Por muito tempo recebi revistas pelo Correio. Daí a referência acima: um episódio de meu tempo no Banco. Em 1986 Odacir saiu para concorrer às eleições daquele ano.

Antes me nomeou gerente de uma nova Agência criada no Estado: Cachoeirinha. Retornei ao sul e fiquei sediado em Gravataí até ficar pronto o prédio da nova agência. Com a inauguração fui seu gerente. Até me aposentar. Quando deixei espontaneamente meu cargo aqui não pensei que voltaria; pelo menos da forma ora contata.

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