Um passeio pelas praças de Camaquã
As praças camaquenses figuram entre as mais bonitas e bem planejadas do Estado, o que motivou o Núcleo de Pesquisas Históricas de Camaquã a recomendar ao poder público, que assim como o Arroio Duro, elas sejam transformadas em Patrimônio Cultural do Município. Entre os principais espaços desta natureza destacam-se as praças: Cel. Sylvio Luis (antiga Quinze de Novembro), Santa Cruz, Donário Lopes e Zeca Netto, além da histórica Praça Rio Branco, junto ao Arroio Duro, reinaugurada com a denominação de Praça da Legalidade, e o Complexo Poliesportivo Ruy Castro Netto – Prainha.
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Um dos símbolos do Centro Histórico de Camaquã, assim como a Praça Santa Cruz, a antiga 15 de Novembro, hoje Praça Cel. Sylvio Luis (foto), nasceu praticamente junto com a cidade em meados do século XIX. Ela guarda grande parte da história local, e inclusive abriga o monumento ao Centenário de Camaquã celebrado de forma equivocada em 1951. Houve um tempo em que ali existiu um coreto, e mais tarde um pequeno zoológico, que por questões ambientais foi extinto nos anos 1980. Entre aves e outros pequenos animais naquele espaço reinava solenemente o macaco Chico. Desde 1999, naquele local está instalada a Casa do Poeta Camaquense – CAPOCAM, única entidade literária no país localizada em uma praça.
Da mesma época figura a Praça Santa Cruz, e que também faz parte das origens da cidade, sendo que grande parte dela foi cedida para a construção da antiga Caixa D’água – a Hidráulica, hoje sede da CORSAN. O pequeno triângulo que restou recebeu o busto de Manoel da Silva Pacheco, que por muitos anos era tido como o fundador da cidade. A denominação da praça faz jus à cruz ali colocada. No local foi construída uma pequena gruta, onde devotos acendem velas e pagam promessas. No ano de 2013 ali foi encontrada a Cruz das Missões, que por muito tempo permaneceu no anonimato oculta entre as oferendas de fé.
Por um bom tempo a pequena comarca camaquense dividia-se em cidade alta (Largo da Matriz) e cidade baixa, que se concentrava na rua Bento Gonçalves. Com a expansão urbana começa a instalação de muitas atividades na parte baixa, e uma praça que já tinha seu espaço reservado, servindo até o momento de campo de futebol, recebe arborização e ornamentação para ser inaugurada no dia 10 de março de 1953, batizada com o nome de Praça Dr. Donário Lopes de Almeida (intendente de 1908 – 1915), época em que a rua Marechal Deodoro se tornou Av. Olavo Moraes. Esta praça projetada para passeios, além do espaço do relógio e o busto de seu patrono, tem ao centro o recanto da Foca Maroca, que mesmo antes de sua revitalização sempre foi um grande atrativo para visitação.
Mais recentemente surgiu nos anos 1970, a Praça Zeca Netto, em área ampla e com moderno traçado ela abriga a Pira da Pátria, onde se realizam as cerimônias cívicas, possuindo ainda um belo anfiteatro, que serve de palco para diferentes eventos culturais, como a Feira Municipal do Livro, além do quiosque municipal, onde está instalada a Associação dos Artesãos de Camaquã. Há mais de uma década a praça também recebe o Natal da Criança Camaquense. O local da praça foi, anteriormente, o estádio esportivo do extinto Clube Atlético Camaquense. Pelo fato de sua centralização, ao longo do tempo a Praça Zeca Netto passou a ser o local preferido das famílias e da juventude, que a frequentam com assiduidade, especialmente aos domingos, sendo o espaço do centro da cidade mais visitado pela comunidade camaquense.
A mais moderna é a Praça da Legalidade, junto ao Arroio Duro, com o vértice na Ponte Ivan Alcides Dias, no local da antiga ponte de ferro. Com sua inauguração parte de um antigo sonho do arquiteto Leonel Guasselli foi contemplado pelo poder público. Dentro do processo de urbanização e paisagismo da cidade, a praça mais nova de Camaquã, foi construída em 2011, cinquenta anos depois do Movimento da Legalidade (1961). Aliás, a praça está próxima das três instituições fundamentais no cumprimento das leis e da justiça social – o Foro, o Ministério Público e a Justiça do Trabalho. O espaço rapidamente foi adotado por esportistas e com a entrega dos equipamentos de ginástica colocados à disposição da comunidade o espaço ganhou vida. Do outro lado da avenida a antiga Praça Rio Branco também foi urbanizada. O local que foi um balneário popular, quem sabe acabe se integrando ao Parque do Arroio Duro para devolver aos camaquenses um acesso a este emblemático curso d’água, que um dia foi o Passo do Duro.
Com o aproveitamento da água do próprio arroio, no final da dedada de 1990, foi criado o Complexo Poliesportivo Ruy Castro Netto, a popular Prainha, que na administração atual está sendo revitalizada, inclusive com pista asfáltica e iluminação led para caminhadas. Muito criticada no início, o espaço foi sendo adotado aos poucos pela comunidade, que viu ali um ótimo local para atividades esportivas diversas. Com esta motivação a Festa do Padroeiro São João Batista foi transferida para o local e a cada ano leva milhares de pessoas ao evento, e no verão a atração é a Taça Prainha de futebol de areia. Tanto o Arroio Duro quanto o Complexo Poliesportivo precisam ser preservados, e através de projetos ambientais ficarem livres de qualquer tipo de poluição, para que possam no futuro continuar encantando novas gerações de camaquenses.
Clic Humor com Sabedoria: “A praça é do povo como o céu é do condor.” (Castro Alves)