Os 10 anos da restauração do Lago da Foca Maroca

Há exatos dez anos, em 2011, um dos grandes referenciais da memória afetiva da cidade era revitalizado. No entanto a história da foca da Praça Dr. Donário Lopes de Almeida tem início nos anos 1950, época em que a praça foi inaugurada, quando dois jovens: Oly Corleta e Epaminondas Martins, trouxeram em um caminhão “fordeco” o animal marinho encontrado em uma de suas viagens ao litoral sul. Evidente que se fosse nos dias de hoje a dupla iria pagar caro pela aventura, já que as leis ambientais são extremamente rígidas.
Conforme a escritora e autora do Hino de Camaquã, Helena Beatriz de Campos Corleta, viúva de Oly, embora sendo o animal muito arisco a viagem transcorreu de forma tranquila, e ao chegarem a Camaquã, eles foram direto ao gabinete do prefeito Ney Silva Azambuja e o notificaram do inusitado achado. “De bom grado o prefeito decretou: – Coloquem-na no aquário da praça”. Naquela época a Donário Lopes era a única praça existente na parte de baixo da cidade.
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Pião e Pireca – estes eram os apelidos dos dois jovens – pediram então o auxílio de alguns curiosos e a colocaram dentro do aquário, onde nadavam fluorescentes peixinhos vermelhos. “A foca, morta de fome, comeu um por um dos peixinhos que lá estavam, e se tornou a dona do aquário”, lembra Helena. A novidade movimentou a pequena cidade passando a reunir muitas pessoas curiosas para ver um animal que a grande maioria não conhecia.
Passado algum tempo a foca morreu, agora famosa, e querida por todos aqueles que sempre a alimentaram em seu refúgio urbano. O pequeno aquário ficou conhecido com “O Lago da Foca”. No seu lugar costumeiro, no centro do lago, foi colocada uma escultura de cerâmica marrom-avermelhada, representando a foca dos anos 50. O mesmo local, passou a ser o evento final dos inesquecíveis carnavais do Clube Camaquense, com direito a orquestra para conduzir os foliões ao tradicional “banho da foca”.
No ano de 2011, na gestão do prefeito Ernesto Molon, o governo municipal promoveu a revitalização do espaço e a denominação da Foca (foto), para que ela recebesse o merecido valor, e para que as futuras gerações viessem a conhecer sua história. A restauração da foca de cerâmica foi obra do artista plástico Caiaque.
Ato contínuo a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, com o apoio da Secretaria Municipal da Educação, promoveu um concurso entre as escolas das redes públicas e particulares, para dar um nome à foca, que foi batizada de Foca Maroca, sugestão da aluna Andriely Santos de Oliveira, do 1º ano do da EMEF Dr. Nadir Medeiros.
Durante o ato de reinauguração do espaço foram descerradas as placas de revitalização da Praça e do nome da foca com a história da mesma. A cerimônia contou com a participação do Grupo de Dança Joaninhas do Nadir apresentando uma coreografia em homenagem à Foca Maroca, emocionando os presentes, entre os quais a escritora Helena Corleta, que através do relato do marido Oly, resgatou essa linda história.
Clic Humor com Sabedoria: “A praça é do povo como o céu é do condor. Mas no caso de Camaquã a praça é da foca como o som é do relógio. (Catullo Fernandes)