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225, 455, 579 ou CTI?


Por Redação Clic Camaquã Publicado 04/12/2020
Ouvir: 06:40

Minha última coluna escrita para o CLIC foi em 25 de maio de 2020 e falava sobre as dificuldades da pandemia, que por sinal perdura até hoje. Comentava-se a época que duraria três ou quatro meses! Mal sabia eu que também seria atropelado por ela e de junho até agora estaria lutando pela sobrevivência!  Hoje, com forças redobradas para enfrentar o COVID-19, volto aos poucos as minhas atividades, e com emoção retorno ao CLIC, minha segunda casa! Agradeço de coração ao Eduardo, ao Danilo, ao Elias, a Renata e a toda a equipe do nosso Portal pela atenção, o carinho e a sensibilidade de manter meus espaços sempre em atividade, conservando, e o melhor, melhorando a audiência! Aliás, é com enorme satisfação que vejo o nosso portal de notícias crescer em audiência, conteúdo e tamanho a cada dia, o que me enche de orgulho, pois muito fui criticado quando acreditei nesta ideia do DUDU e “me bandeei para este lado”, com fé de que este seria o futuro da comunicação. Fato que se confirma dia a dia pela credibilidade, seriedade e competência desta pequena equipe que se qualifica através do tempo!

Mas queria falar um pouco destes seis meses de ausência quase que completa da comunicação, quando minha casa foram os apartamentos 225, 455, 579 e CTI do Hospital Moinhos de Vento. Todavia, se for para escolher um desses locais, que foram minhas casas nos meses de junho, julho, agosto, setembro e até início de outubro, apesar da atenção, competência e carinho de toda uma equipe de médicos, técnicos, enfermeiros, laboratoristas, sem qualquer dúvida, não os escolheria como meu lar. Por que: “A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família. ”(Leon Tolstói). Estive no 225, quando uma Síndrome de Erisipela me atingiu ambas as pernas, levando-me a uma insuficiência renal que perdura até hoje. Devido ao acúmulo de líquidos, meu peso que era de 71 kgs chegou a 82 Kgs. Hoje estou com 65 Kgs. Nesta internação que durou de 03.06. até 27.06.2020, fui atendido pelo dermatologista Dr. Renato Bakus, pelos Nefrologistas Drs. Roberto Manfro, Ilan Balestrin e pelo Cardiologista Dr. Luiz Eduardo Rohde, a quem sou extremamente grato. O 225 não poderia ser minha casa! De 08.07 a 06.08.2020, fui atingido por Pneumonia e COVID-19, inicialmente internado no Pronto Socorro e a seguir isolado no Apto 455, andar só de positivados por Covid no Moinhos. Ali curti um isolamento de 29 dias, quando recebia apenas a visita de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, e de meu filho que também é médico. Dias e noites de solidão, muito difíceis, muitos exames, falta de ar, muita tosse, por vezes passava a noite inteira tossindo, medicamentos desconhecidos e fortíssimos para combater o terrível vírus. Vivi ali os momentos mais angustiosos e tristes de minha vida, pela incerteza de chegar vivo ao final do dia. Era um dia de cada vez, até vencer o COVID-19. Foram dias de mágoa, tristeza, lágrimas e solidão. Fui acompanhado pelos médicos Dr. Marcelo Gazzana, pneumologista, Dr. Roberto Manfro, Dr. Guilherme Rollin – Endocrinologista e Luis Eduardo Rohde. O 455, ala dos infectados, jamais poderia ser meu lar. 

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Superadas em parte estas dificuldades, obtive alta, mas para permanecer em Porto Alegre. Quinze dias em casa, aos cuidados de cinco profissionais da saúde, fui acometido de um infarto do miocárdio, que só não foi fulminante graças a competência do Dr. Rohde, meu cardiologista, que suspeitando de dores que sentia, levou-me da hemodiálise à UTI para submeter-me a cateterismo. A colocação de um Stent, salvou minha vida, mais um Stent, pois já possuía três. Foram 10 dias de internação. Na UTI, já muito fraco devido as diversas internações, até por pesadelo passei. Não, a UTI não poderia ser minha casa! Nesta etapa fui atendido pelo Dr. Luis Eduardo Rohde, Dr. Marcelo Gazzana e Dr. Roberto Manfro, além de diversos outros profissionais da saúde. Com alta novamente permaneci mais 15 dias em casa na Capital. Realizando hemodiálise, três vezes por semana, inicialmente no hospital. Graças a Deus estou a mais de um mês em Camaquã, minha casa. Fui magnificamente recebido na Nefroclínica em Camaquã pela Dra. Scheila Pretto de Almeida Thofehrn, Nefrologista que com muita competência me atende, três vezes por semana, juntamente com sua atenciosa equipe de médicos, enfermeiros e técnicos, que há mais de 30 anos cuidam da Insuficiência Renal em Camaquã e região. Agradeço a atenção e o carinho do Dr. Ricardo Thofehrn e do Dr. Vitor Thofehrn e sua equipe do Laboratório Dr. Thofehrn pela atenção e o carinho que dispensam a mim. Não poderia esquecê-los! Aqui sim, meu lar, meu berço, local onde posso viver com tranquilidade, apesar das sequelas. 2020, realmente não foi o ano! Pandemia, dificuldades na saúde fizeram deste um ano de tribulação. Tenho muito a agradecer a minha família, a Silvia, ao Alessandro a Mari, ao Alisson, a Sandra e a Betânia e o Rodrigo pelo carinho e atenção dispensados a cada dia, mas em especial a minha querida Silvia, cuidadosa, amorosa, companheira de todos os dias, ao meu lado em todos os momentos e a todos os amigos que me acompanharam neste tempo de aflição! Muito obrigado a todos!

Para você pensar:

“A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família.”

(Leon Tolstói)

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